i need some help

Solene é o silêncio de um quarto trancado cheio de pensamentos presos e perdidos por tanto sofrimento de solidão e de pedaços que com o passar do tempo são jogados ao chão.

Eu me tornei alguém mais complicado e de certa e grande forma um alguém seco e sem completo sentimento e amor próprio, o tempo me tornou assim, as quedas e perguntas sem respostas me tornaram assim, as vezes me pergunto e me vejo, o que eu me tornei.

Eu caminho sem sentidos opostos, meus sentimentos não condizem mais com meus pensamentos e eu sempre me imagino caminhando para o lado errado, ciente disso, porém sem forças para fazer o contrário, o ruim adquirido com o tempo tomou grande parte, eu não tenho mais cabeça e atitude para fazer o diferente, falta algo.

Eu as vezes penso em desistir, enfrentar a multidão, eu esqueci como faz para chorar, sabe, aquele choro de emoção, aquelas lágrimas de verdade, eu me tornei uma pedra pela grande falta de sentimento, eu tenho medo de perder o que é bom pra mim, mas só aprender isso quando me faltar.

Eu me vejo jogado dentro de um cubo no canto da parede sem forças, deixando apenas acontecer e não correndo atrás da mudança, as únicas lágrimas que escorrem sobre meu rosto são aquelas de pena, de piedade, de me ver jogado, mas sem as forças e sem o amor próprio para seguir em frente, “en-frentar”  e continuar.

 
[Flash 9 is required to listen to audio.]

Eu sei que você não se recorda mais de mim na intensidade com que talvez eu me lembre de ti. Que eu fui só mais um dentre os outros todos. E que felicidade é mais simples do que se pensa.

E eu queria te dizer que eu sei disso tudo. E a despeito de sabê-lo, ainda guardo, no fundo de mim, um baú cheio daquele amor que te empenhei. Confesso que venho tentando, apesar dos votos de eternidade, com cada vez mais afinco, quebrar o cadeado com que guardei minhas reservas de amor, mas não tenho tido êxito. Dia desses me propus a atravessar madrugadas em busca da chave. Atravessei estrelas, ventos, ondas.

Na semana seguinte, me permiti colher desejos, toques, sinos, sonhos, fui par da juventude que não envelhece nunca. E apesar de todos os meus respeitos e minhas buscas, não encontrei a referida chave. Tenho pensado que talvez me reste uma chance, última. Se ela está perdida para sempre, quem sabe seja a hora de confeccionar uma chave-mestra. Que possua o segredo da trava. Que consiga escancarar o fecho, desenlaçar o bloqueio, libertar o tesouro que guardo no fundo de mim.

E quem sabe eu não precise de ajuda alguma, como você bem tentou me dizer. Estou a caminho do encontro com o chaveiro que vai me acompanhar nesse trabalho, último, de acesso ao agora homem que me tornei.

 
 

(Source: hediondo)

 
 
[Flash 9 is required to listen to audio.]